Brasil: Não pode adicionar petróleo ao mercado mais rápido

Por: Abudo Omar
Data: 22/03/ 2022
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FPSO Carioca colocado em operação no campo Sépia do Brasil em 2021 (oedigital)

O Brasil nesta década espera adicionar gradualmente 3 milhões de barris por dia de petróleo e gás à sua produção, mas não pode acelerar esses planos para compensar a proibição do petróleo russo, disse à Reuters na semana passada o principal regulador de petróleo Rodolfo Saboia.

Um dos maiores produtores de petróleo não pertencentes à Opep e de mais rápido crescimento, espera-se que o país sul-americano bombeie significativamente mais petróleo nos próximos dois anos, num momento em que os compradores estão a procura de suprimentos para substituir o petróleo russo na lista negra devido à invasão da Ucrânia.

A demanda global por petróleo está em cerca de 100 milhões de barris por dia. A disseminação das proibições de suprimentos russos desde a invasão da Ucrânia pode elevar ainda mais os preços do petróleo. A Rússia, que chama a sua acção de "operação especial", fornece cerca de 7 a 8 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados.

Este mês, a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, ligou para o seu colega no Brasil para pedir aumentos mais rápidos, disse o Ministério da Energia do Brasil. Os EUA também entraram em contacto com produtores nos EUA, Venezuela e Médio Oriente.

As restrições da geologia e da cadeia de suprimentos do Brasil significam que pode levar até 10 anos para colocar novos projectos em produção, disse ele. Seu petróleo vem em grande parte de campos de águas profundas que exigem plataformas caras e componentes submarinos, disse Saboia.

"A produção vai crescer, mas não há muito o que fazer para acelerá-la", disse Saboia à Reuters. "Há muito que a indústria pode oferecer."

A estatal petrolífera Petrobras planea 15 grandes plataformas de produção offshore até 2026, disse o chefe de produção da Petrobras, João Henrique Rittershaussen. Os 15 aumentarão a capacidade combinada em 2,425 milhões de bpd de petróleo bruto.

Embora a maioria das plataformas esteja pronta ou em construção, apenas uma - capaz de bombear 180.000 bpd de petróleo bruto - está planeada para começar este ano, disse Rittershaussen.

Outros cinco com uma capacidade combinada de 630.000 bpd de petróleo estão programados para iniciar as operações no próximo ano, disse ele. Mas a saída não é instantânea. "Leva quase um ano inteiro para atingir a capacidade total numa plataforma como essa," disse Rittershaussen.

Os campos petrolíferos offshore do Brasil fornecem 97% da produção do país, de acordo com o regulador ANP. A produção total deve crescer para quase 7 milhões de bpd de petróleo e gás até o fim de 2030, de 3,94 milhões de bpd em 2021, segundo o órgão de pesquisa de energia do governo conhecido como EPE.

As empresas petrolíferas e fornecedores vêm aumentando os gastos no Brasil nos últimos anos. Os investimentos já subiram US$ 1 bilião este ano em relação a 2021 e devem totalizar US$ 20 biliões no próximo ano, segundo o grupo da indústria petrolífera IBP.

Sanções à Rússia podem aumentar ainda mais o investimento estrangeiro, disse Fernanda Delgado, directora executiva do IBP.

Mas, ela alertou: "Este não é apenas um processo instantâneo".

Fonte: Offshore Engineer


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